31.8.05


Acrofobia

"(...)
Para vivir un gran amor siempre creí que era necesario ser un hombre de una sola mujer, podría ser de muchas, podría ser de quién quiera, no tiene ningún valor, cuando se ama a la mujer indicada. Que era necesario saberse caballero y ser de su dama por entero, tratarla como una flor, hacer del cuerpo una morada donde se clausure a la mujer amada, y portarse como si fuera una espada. Para vivir un gran amor había que compenetrarse en la verdad y recordar que no hay amor sin fidelidad. No bastaba al menos con ser un buen sujeto, había que tener mucho pecho, para abrasar todas sus mañas y tratar siempre a mi amada como a mi primera enamorada. Para vivir un gran amor era muy, muy importante vivir siempre juntos, para no morir de dolor. Era necesario un cuidado permanente no solo del cuerpo, sino también de la mente, porque cualquier vacío, la amada lo siente y se enfría un poco el amor. Había que ser bien cortés, sin cortesía; dulce y conciliador, sin cobardía; saber ganar dinero con poesía, pero no ser un ganador, eso nunca iría conmigo. Para vivir un gran amor, era necesario hacer de la vida una canción, y cantarla entre calles desiertas, altos edificios con seudo-suicidas sin vocación suicida, pero sin otra salida. Para vivir un gran amor tenía que vivir para dar; dar para respirar; pagar sin contar cuanto me den de vuelto, robar sin importar la condena, acariciar las hojas de los arboles secos y bañarme sin importar, en los pantanos más fétidos, que importa cuando se ama, cuando incluso me animaría a salir a bailar por las calles con desconocidos, vociferando por una felicidad que no alcanzo a oler, pero que me la estoy bebiendo a destajo. Para vivir un gran amor siempre creí en los cuentos utópicos que me hicieron tragar desde niño. Siempre creí en el romanticismo barato, en todo lo que me vendieron por televisión y me di cuenta que buscando un gran amor, había perdido el verdadero sentido de la relación con una mujer, cegándome a la nueva dimensión del mundo que me daría mi difunta amada... (...)"

Claudio Lobos Carreño


(Mesmo que ninguém entenda nada, eu entendí... Tudo!)

FERNANDA SAMICO - 7:38 PM - Comments:

14.8.05





Insônia...
Mesmo depois de algumas cervejas, insônia.
Mesmo depois de várias páginas lidas de um livro, insônia.
Depois das tentativas de distrair minha mente, insônia.
Ainda com os olhos abertos, vendo as malas empoleirando na minha cama, enchendo o quanto.
Tanta coisa pra fazer em tão pouco tempo, tanta gente pra despedir, tanta gente sem importância.

Hoje eu comentei com o Eduardo como nós conhecemos bastante gente aqui e como essas pessoas não significam absolutamente nada. Eu disse: " É estranho a gente conhecer pessoas que não fizeram nenhum impacto na nossa vida. Se a gente nunca mais vir essas pessoas, a gente não vai sentir falta nenhuma. É como se elas nunca tivessem existido." Mas elas continuarão existindo. Dando as aulas de spinning, indo à universidade, trabalhando na boate... Na verdade, eu não sei se lamento o fato de ninguém ter acrescentado nada ou à inocuidade do encontro em si. Mas sei que nuca mais as verei e não senturei falta nenhuma delas e vice versa.

É ruim, se você parar pra pensar, perceber que em um ano você não foi capaz de fazer ao menos uma amizade significativa. É vazio. Parece que você perdeu muito tempo fazendo nada. Eu efetivamente perdí muito tempo fazendo nada. Nem um amigo fui capaz de fazer. Mas pergunto até que ponto a culpa é minha e até que ponto isso se deve à barreira cultural e linguística. Acreditem, isso conta muito. Ninguém que me conheceu aqui viu de verdade a Fernanda que existe no Brasil porque simplesmente eu não sei me expressar com tanta riqueza em Espanhol. As piadas, os chistes, ficaram pra trás. Aqui eu sou muito mais dócil e exatamente por isso mil vezes mais impaciente.

E essa minha impaciência questionou hoje a vontade que nasceu, agora de madrugada, de fazer um cd de música brasileira pras minhas colegas do curso de espanhol. Minha professora russa e minha companheira de classe ucraniana. Tenho certeza que nunca mais as verei. Acho que minha vontade de fazer o cd é uma tentativa de causar algum impacto na vida das duas, de criar um vínculo. De diminuir essa inocuidade. De dizer que eu ainda vou exisitir depois de cruzar o oceano. De desejar que elas lembrem de mim toda vez que escutarem o cd. De ter notoriedade. Porque sabendo que elas lembrarão de mim, talvez eu tenha vontade de lembrar delas também. Porque eu acho muito triste sair daqui sem ninguém na minha memória. E porque eu acho muito difícil eu ter contato de novo com uma ucraniana e uma russa na minha vida.

FERNANDA SAMICO - 4:37 AM - Comments:

1.8.05




"Para quem quer crescer, todo erro é pedagógico."

Pensando em erros.
A tendência de qualquer um quando erra é prestar atenção na própria falha. Mas esquecemos de como os erros são importantes. São os erros que apontam o caminho correto, mesmo que seja um pouco tarde para percorrê-lo. Os erros nos mostram o que não enxergaríamos se fossemos perfeitos. Erros são professores. Dizem que errar uma vez é humano, duas vezes é burrice. Eu digo que errar duas vezes é ficar de recuperação. É ainda não conseguir média suficiente pra passar de ano. É ainda não ter a noção exata do que se deve aprender com o tal erro.

Vivemos num mundo que valoriza a perfeição. A maior parte das religiões tem como fim atingir a perfeição: os católicos querem atingir a perfeição de conduta para entrarem no Paraíso; os budistas se enveredam numa espiral evolutiva que levará à perfeição total... Isso sem esquecer da perfeição estética e econômica que escraviza a todos nós.

Analizando o meu erro, o erro de ter vindo pra cá sem perspectiva ou plano b, assim "a tum-tum" como dizem aqui, eu noto que ele foi um grande mestre. Sair do meu conforto, morar na casa de outra pessoa, não ter emprego, ser considerada extrangeira, enfim, tudo isso é uma grande liçao de humildade e paciência. Eu ví em mim mesma um monstro de soberba e egoísmo quando as coisas não saíram com eu imaginei. Eu esbravejei como uma criança mimada. Fiquei de mal com o mundo, achava que era culpa de todos, menos minha. Claro, não poderia nunca assumir o erro, senão eu teria que sair do meu cômodo lugar de vítima. Até que a vida fez comigo o que toda mãe esperta faz quando o filho esperneia: ignora... e se ele passa do ponto, leva umas palmadas.

Levei umas palmadas, fui ignorada e finalmente a mensage ficou clara: se eu não assumisse o erro, nunca seria capaz de entendê-lo e aprender com ele. E eu aprendí muito me jogando no escuro deste jeito. Ainda quero aprender mais, preciso ainda aprender muita coisa com esse erro. Esse erro é o melhor professor que eu já tive.

Um brinde à todas as cagadas, à todas as vezes que metemos os pés pelas mãos, aos vacilos e também ao arrependimento e à capacidade maravilhosa que temos de amadurecer na adversidade.

FERNANDA SAMICO - 5:18 PM - Comments:





Fê Samico
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