26.3.07
Deitado, olhando para o teto, ele fala.
Fala, fala, fala. fala.
Numa verborragia hemorrágica.
Mas o sangue das palavras dele não é vermelho.
Muito menos azul.
Deitado, olhando para o teto, ele fala.
E rí.
Solta risadas quando fala de suicídio.
Suicídio para ele é piada.
Piada sem graça, mais triste que o riso dele.
Deitado, olhando pro teto, ele fala.
De seus romances e conquistas.
Como um Casanova eunuco, ele descreve suas aventuras.
Nos lençóis ele é tudo.
Mas sempre está sozinho.
Deitado, olhando para o teto, ele fala.
Que não depende de ninguém.
Como um Renato Russo iletrado,
ele quer provar para todo mundo que não precisa
provar nada para ninguém.
Deitado, olhando para o teto, ele fala.
E só fala.
E é triste.
:: por FERNANDA SAMICO :: 9:33 PM ::
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16.3.07
"No fundo, no fundo,
bem lá no fundo,
a gente gostaria
de ver nossos problemas
resolvidos por decreto
a partir desta data,
aquela mágoa sem remédio
é considerada nula
e sobre ela o silêncio perpétuo
extinto por lei todo o remorso,
maldito seja que olhas pra trás,
lá pra trás não há nada,
e nada mais
mas problemas não se resolvem,
problemas têm família grande,
e aos domingos saem todos a passear
o problema, sua senhora
e outros pequenos probleminhas."
Leminski
Pra quê gastar o meu latim se o Leminski brilhantemente resume tudo?
:: por FERNANDA SAMICO :: 8:34 AM ::
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9.3.07
:: por FERNANDA SAMICO :: 6:38 PM ::
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