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Le Journal Gauche

"Puisque ma vie n'est rien, alors je la veux toute. Tout entière, tout à fait et dans toutes ses déroutes. Puisque ma vie n'est rien, alors j'en redemande. Je veux qu'on m'en rajoute, soixante petites secondes pour ma dernière minute."



25.10.07



"A linguagem e a vida são uma coisa só. Quem não fizer do idioma o espelho de sua personalidade não vive; e como a vida é uma corrente contínua, a linguagem também deve evoluir constantemente. Isto significa que como escritor devo me prestar contas de cada palavra e considerar cada palavra o tempo necessário até ela ser novamente vida. O idioma é a única porta para o infinito, mas infelizmente está oculto sob montanhas de cinzas."
João Guimarães Rosa

Eu IA de novo no museu ver a exposição, mas alguém lá em cima teve a idéia infeliz de fazer desabar água suficiente pra criar um caos no Rio. Isso estragou meus planos, todos eles... Fico aqui em Stars Hollow sem exposição, sem análise, sem Bergman, sem.

FERNANDA SAMICO 12:07 PM
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Alice e o pôr do sol

Absurdo! Aquilo tudo era simplesmente absurdo. A cabeça doía só de tentar encontrar um argumento lógico para tudo aquilo. Aquele era definitivamente um dia louco.

Olhando bem fundo nos olhos inquisidores de Dadá, Alice decidiu desistir de entender as leis daquele mundo torto em que adentrara sem saber porquê. Era demais. Como uma menina simplesmente imagina que está em um lugar e aparece ali como num passe de mágica? Aquilo era impossível, Alice se negava a acreditar. Deixara de crer em magia e contos de fada muito cedo, na idade em que as meninas ainda sonham com unicórnios e arco-íris com potes de ouro.

"Menina, me fala a verdade!", esbravejou. Agarrando os ombrinhos frágeis de Dadá, ela sacodia a criança. "Isso é impossível! Você vai me dizer a verdade agora. Como você entrou aqui? Onde está a porta? Anda menina, fala!"

Ela queria respostas. E ela as queria imediatamente.

"Não tente me enganar com essa conversa de contos de fada, menina! Eu sou gente grande e gente grande não acredita em contos de fada. Eles não existem!"

"Meu nome não é menina!" respondeu Dadá, levantando-se e enxugando as lágrimas, produto do susto que levara com a reação de Alice. "Eu vou embora e vou deixar você aqui. E se a minha mãe mandar eu te trazer mais comida eu não venho!" Limpando seus joelhinhos, Dadá acrescentou: "Minha mãe tinha razão, você é uma velha!"

E Alice não teve tempo de segurar a menina quando ela simplesmente pulou a janela e saiu correndo pelo campo verde que já escurecia com o pôr do sol.

FERNANDA SAMICO 12:06 PM
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22.10.07

FERNANDA SAMICO 1:14 PM
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11.10.07

FERNANDA SAMICO 10:31 PM
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Alice e Dadá

Sentanda na cama, bandeja no colo, Alice devorava sua primeira refeição desde que acordara naquele quarto. Mordia um pedaço de pão com manteiga e queijo, bebia um generoso gole de café, arrancava do cacho duas uvas vermelhas e as enfiava na boca. Outro gole de café. Enquanto mordia mais um bocado do pão, olhava para o bolo de chocolate e sua calda brilhante. Outra uva. Alice comia com a voracidade e a pressa de quem não tem certeza se terá outra refeição. Com a boca cheia, meio mastigando e meio engolindo, Alice conseguiu dizer: "Quem é você?"

A menininha, que até aquele momento estava de pé, observando a dinâmica voraz entre Alice e o conteúdo da bandeja, levantou os olhos. "Encantadora, essa criaturinha" pensou Alice. A menininha tinha a cabeça cheia de cachinhos cor de mel. Vestida de blusinha branca com um grande peixe azul estampado e short da mesma cor, estava descalça. Devia ter no máximo uns cinco anos. Olhos da cor dos cachos e cheios de inteligência. Alice engoliu mais um pedaço de pão e repetiu: "Anda menina, quem é você?"

A menininha sorriu e respondeu: "Meu nome é Dadá, eu tenho seis anos e gosto de bolo de chocolate. Me dá um pedaço?"

Alice cortou com os dedos um pedaço e o entregou à menininha. Lambeu os dedos sujos de calda e continou: "Como você veio parar aqui? Como eu vim parar aqui? Como é que se sai daqui? Eu quero ir embora!"

A menininha, com metade do pedaço de bolo na boca, deu um sorriso cheio de chocolate nos dentes. Terminou calmamente de mastigar, engoliu e, com semblante sério, disse, num tom autoritário:

"Falar de boca cheia é feio! Minha mãe falou que eu sou quase uma moça e não posso falar de boca cheia. Você que já é grande falou de boca cheia! Sua mãe não te falou não? Se você quiser trocar de mãe, pode ficar com a minha, ela vai te ensinar um monte de coisa, até como comer de boca fechada e não falar de boca cheia."

Alice afastou a bandeja do colo, desceu da cama e ajoelhou-se em frente a Dadá, pegou suas mãozinhas miudas e perguntou: "Dadá, você lembra como entrou aqui?"

Dadá sentou-se no chão e do bolsinho de seu short azul tirou um giz. Alice seguiu sua pequena anfitriã e também cruzou as pernas, sentando-se. Enquanto desenhava um círculo na madeira do chão, Dadá começou sua história:

"Eu 'tava na minha casa, brincando com a minha irmãzinha. Eu tenho uma irmãzinha menor que eu, acredita? A gente 'tava brincando de correr. Eu adoro correr e eu sempre ganho porque a minha irmã é muito pequena. Sabia que é ela que colocou o meu nome de Dadá? Aí a minha mãe me chamou e eu fui na cozinha onde ela 'tava. Ela me perguntou se eu queria brincar de chapéuzinho vermelho e levar uma cesta de guloseimas pra vovózinha. Toda vez que a minha mãe fala guloseimas eu rio, é uma palavra engraçada, né? A minha irmãzinha também rí e repete, de chupeta na boca, 'guloxeima'. Aí a gente rí juntas e a minha mãe fica brava e depois ri junto com a gente. A minha mãe é a moça mais bonita do mundo, sabia? Quando eu crescer, ela me falou que eu vou ficar igual a ela."

O desenho no chão começava a tomar forma de um sol sorrridente, desses típicos em desenhos infantis, com olhos, nariz e sorriso grande. Dadá prosseguiu:

"Aí eu perguntei qual vovózinha, porque eu tenho duas, né? Todo mundo tem duas vovós. E a minha mãe disse que era outra vovózinha, uma de brincadeira. E eu fiquei toda contente porque eu adoro brincar de faz de conta. Aí a minha mãe falou: 'Princesa, vai até a varanda e imagina com muita vontade que você vai na casa da vovó entregar essa bandeja, tá? Só cuidado pra sua irmã não ver. Ela é muito pequenininha e pode incomodar a vovó, que é velhinha.' Aí eu fiz o que a minha mãe mandou e quando eu abrí o olho você tava ali na janela. Aí você virou e me olhou com um olho tão arregalado!"

Dadá ajoelhou-se e, quase nariz com nariz, tão perto de Alice que podia sentir o cheiro de bolo de chocolate no hálito de Dadá, acrescentou: "Será que eu vim parar no lugar certo? Você não é vovó nem é velhinha, nem tem cabelo branco!"

FERNANDA SAMICO 10:18 PM
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3.10.07

Well I know from experience
That if you have to ask for something
More than once or twice
It wasn't yours in the first place

FERNANDA SAMICO 11:08 PM
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