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Le Journal Gauche
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"Puisque ma vie n'est rien, alors je la veux toute. Tout entière, tout à fait et dans toutes ses déroutes. Puisque ma vie n'est rien, alors j'en redemande. Je veux qu'on m'en rajoute, soixante petites secondes pour ma dernière minute." 21.11.07 Alice e a floresta
Era difícil respirar. O coração batia tão rápido que Alice sentia vertigens. Sentia o rosto quente e o suor escorrendo pela testa. Mas mesmo assim ela continuava correndo. Correndo. Seguindo em frente, para bem longe do quarto. Sempre em direção ao coração da floresta escura. Já era noite fechada quando Alice finalmente conseguira sair. Os joelhos estavam ralados de tantos tombos na tentativa de imitar o que a menina tinha feito. Alice dava distancia da janela, corria e pulava, sem tocar na janela, e todas as vezes caía de joelhos na madeira dura do chão do quarto. Mas uma das tentativas deu certo. Talvez por ter sido a mais desesperada. Talvez por ter sido a única vez que não pensou em nada. Por ter sido a vez que Alice se entregou à queda. Foi a vez que ela pulou sem medo de se machucar. Que o desespero era tão grande que nada mais importava, somente a tentativa. Continuar tentando. E quando ela sentiu que seus joelhos tocavam a grama do lado de fora, levantou-se rapidamente e virou-se para ver seu cativeiro sob uma outra perspectiva. E como era diferente ver aquele quarto pelo lado de fora! "Não me parece nem um pouco sombrio," pensou Alice, "muito menos um cativeiro." Na verdade, o que se podia enxergar com a débil luz da lua era uma janela na parede lateral do que parecia ser uma casinha branca. Soltando um breve suspiro e com um sorriso nos lábios ela começou a correr o mais rápido que conseguia. E agora, com o coração explodindo no peito, ela corria sem rumo. A verde campina tinha se transformado em um conjunto de vultos negros iluminados por uma lua cheia. A paisagem bucólica tinha dado lugar a um cenário ameaçador. E, sem se importar com nada, Alice se embrenhava cada vez mais entre as árvores, numa tentativa inconsciente de colocar entre ela e o quarto o maior número de obstáculos possível.
FERNANDA SAMICO 8:58 AM 20.11.07 Pena que ela um dia vai crescer...
FERNANDA SAMICO 6:21 PM 16.11.07 De sonhos e tatuagens
Eram outros tempos aqueles. Tempos de pés descalços, cabelos longos e roupas puídas. Uma praça de vidas de submundo e pulseiras de bambú onde os olhares nunca se pareciam. Uma cachoeira que não era em um bosque inexistente. Era um tempo em que o corpo pedia tatuagens. E havia coragem e espaço de sobra para elas. Nos pés, nas costas, no coração. Íamos sempre mais alto. No tealhado do meu edíficio ou na pedra daquela montanha arenosa. Eram noites contemplando estrelas. Fazíamos orações ao sol. Falávamos sobre os mistérios da alma e do universo e elaborávamos teorias sobre todas essas coisas que hoje me dão preguiça de pensar. Um pirulito no canto da boca, um copo de vinho ruim e as músicas das nossas vidas em uma fita cassete que dava voltas e voltas no velho rádio embaixo da cama enquanto cálculavamos o tempo ofegantes. Ríamos. O vento frio diante de nós e eu escondida atrás de teus cabelos. Andávamos pelo centro da rua com a cabeça erguida e sem direção. Respirávamos a vida no estado mais latente, com a segurança de que o mundo era vasto e nos pertencia, com a certeza de que dominávamos os segundos e de que sabíamos realmente quem éramos e que poderíamos ser qualquer coisa. Foi o tempo das discussões mais insensatas, dos beijos mais longos, da raiva mais aguda, do amor mais profundo, dos tremores mais doces, das carícias mais incansáveis. Não foi completo como poderia ser hoje, mais foi mais intenso que nada, que tudo jamais. Bruxelas - outono de 2007
FERNANDA SAMICO 10:22 PM 9.11.07 Es um senhor tão bonito Quanto a cara do meu filho Tempo tempo tempo tempo Vou te fazer um pedido Tempo tempo tempo tempo Compositor de destinos Tambor de todos os ritmos Tempo tempo tempo tempo Entro num acordo contigo Tempo tempo tempo tempo Por seres tão inventivo E pareceres contínuo Tempo tempo tempo tempo És um dos deuses mais lindos Tempo tempo tempo tempo Que sejas ainda mais vivo No som do meu estribilho Tempo tempo tempo tempo Ouve bem o que te digo Tempo tempo tempo tempo Peço-te o prazer legítimo E o movimento preciso Tempo tempo tempo tempo Quando o tempo for propício Tempo tempo tempo tempo De modo que o meu espírito Ganhe um brilho definido Tempo tempo tempo tempo E eu espalhe benefícios Tempo tempo tempo tempo O que usaremos pra isso Fica guardado em sigilo Tempo tempo tempo tempo Apenas contigo e comigo Tempo tempo tempo tempo E quando eu tiver saído Para fora do teu círculo Tempo tempo tempo tempo Não serei nem terás sido Tempo tempo tempo tempo Ainda assim acredito Ser possível reunirmo-nos Tempo tempo tempo tempo Num outro nível de vínculo Tempo tempo tempo tempo Portanto peço-te aquilo E te ofereço elogios Tempo tempo tempo tempo Nas rimas do meu estilo Tempo tempo tempo tempo
FERNANDA SAMICO 4:40 PM
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